Uma panela no fogo, a mesa sendo posta e uma garrafa esperando a hora de abrir. Conhecer a história da uva pode deixar esse momento ainda mais interessante. Depois da Malbec, o convite é dar espaço à Merlot: uma variedade que oferece boas oportunidades para comparar estilos e descobrir preferências.
Uma história que começa na França
A Merlot tem Bordeaux, no sudoeste francês, como seu berço histórico. Segundo a Universidade da Califórnia em Davis, ela aparece na literatura francesa no fim do século XVIII. A associação do nome com o melro, uma ave escura, é uma das explicações tradicionais: pode remeter à cor das bagas ou ao interesse dos pássaros pelos frutos. É uma pista sobre o nome, não uma história de origem comprovada em todos os detalhes.
A genética acrescentou outro capítulo: a Merlot é descendente da Cabernet Franc e da Magdeleine Noire des Charentes. Essas relações foram esclarecidas muito depois de a uva já estar presente nos vinhedos. Fonte: UC Davis.
O lugar que conquistou em Bordeaux
Saint-Émilion e Pomerol estão entre as regiões francesas mais associadas à Merlot. Ela também participa de cortes, os vinhos elaborados com mais de uma variedade. Nessas combinações, pode contribuir com fruta e uma textura arredondada, enquanto outras uvas acrescentam características diferentes.
Seu repertório vai de tintos leves e frutados a vinhos densos, capazes de envelhecer. Por isso, encontrar “Merlot” no rótulo é o começo da descoberta, não uma garantia de que todas as garrafas terão o mesmo perfil. Fonte: Bordeaux.com.
Outros países, novos capítulos
A trajetória atravessou fronteiras. A UC Davis registra a chegada de Merlot aos Estados Unidos no século XIX e documenta sua presença também na Itália e na Argentina. Cada região acrescenta condições de cultivo e escolhas de elaboração à história da variedade.
No Brasil, vale olhar para o Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha. A Embrapa identifica a Merlot como representante da identidade dos tintos da Denominação de Origem da região. É um motivo para incluir um exemplar brasileiro quando surgir a oportunidade de comparar origens. Fonte: Embrapa Uva e Vinho.
O que procurar na taça
Cereja, ameixa e uma textura aveludada estão entre as referências frequentes para a Merlot. São possibilidades, não uma lista que você precisa reconhecer. O lugar de cultivo, a safra e a elaboração ajudam a explicar por que dois vinhos da mesma uva podem ser diferentes.
Sirva uma pequena quantidade, observe o aroma e dê o primeiro gole sem comida. Depois volte à taça ao longo da refeição. Anote com palavras suas: a fruta parece fresca ou madura? O vinho deixa a boca mais seca? A sensação muda depois de uma garfada?
Três ideias para levar à mesa
Estas são propostas para experimentar, ajustando a escolha ao estilo da garrafa:
- Risoto de cogumelos: experimente um Merlot de corpo médio e observe como ele se comporta com a cremosidade e a quantidade de queijo.
- Frango assado: comece com alho e ervas, usando pouco molho adocicado. Um vinho menos encorpado pode ser um bom ponto de partida.
- Massa ao molho de tomate: procure frescor no vinho e compare com o molho. A acidez do tomate e a intensidade dos temperos mudam o encontro.
Não precisa acertar uma combinação definitiva. Provar, ajustar e descobrir do que você gosta também faz parte da refeição.
Uma garrafa para começar: City Noble Merlot
O City Noble Merlot está listado na COMPREVINHO e fica como sugestão inicial para explorar a uva. A safra e os detalhes da ficha devem ser conferidos antes da compra.
A próxima taça pode começar com uma pergunta simples: o que esta Merlot tem para contar à sua mesa?

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